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| Iara no lancamento do livro "Milagreira" |
GM: Quem é Iara Maria Carvalho?
IMC: Tenho 30 anos, nasci em 24 de dezembro de 1980, em Currais Novos, uma cidade da região Seridó do estado do Rio Grande do Norte. Sou apaixonada pelo lugar onde vivo, nunca tive o sonho de morar em cidade grande, aqui tenho quase tudo que preciso, pois aqui tenho quem eu amo... O que eu não tenho por aqui, como cinema, outras opções de lazer, cultura e moda, busco em outros lugares, mas há sempre um ímã me trazendo de volta às minhas origens. Sou uma mulher que ama acima de tudo. Amar nem sempre é fácil, conviver é um desafio e tanto. Mas posso dizer que hoje tenho buscado, cada dia mais, amar a mim mesma, pois passei a acreditar na velha frase que diz: "Para amar aos outros, é preciso amar a si próprio". Continuo tentando... E o Gmaravilhosas tem sido uma grande inspiração pra mim, uma maneira de enxergar meu corpo e minha alma de forma diferente e bem mais apaixonada. Obrigada a vocês!
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| A Violocela e o violoncelo |
IMC: Quando criança eu escrevi um poema. Na adolescência, muitos amores me inspiraram a outros tantos. Nada de que eu me orgulhe. Mas foi um começo. Posso dizer que escrevo com mais seriedade e paixão desde 2000, quando iniciei minha faculdade de Letras. Comecei a ler mais e isso me incentivou a escrever mais. No meu caso, uma é indispensável a outra.
GM: Quais os temas que escolhe para escreverem suas poesias?
IMC: São temas muito variados. Gosto de escrever sobre amor, sobre a minha terra, bichos e frutas, meu jeito de ser mulher, o meu silêncio e tudo mais. Minha palavra é repleta de sentimentos... Quando não são meus, roubo os de outros, reinvento, mas sempre acabo vivendo e sentindo tudo que escrevo. A emoção de um poema acabado não tem preço.
GM:Quando e como surgiu a ideia de escrever "Milagreira"?
IMC: Há muito tempo desejo colocar no papel, imprimir e espalhar o que escrevo, de forma que as pessoas possam manusear as minhas palavras, senti-las de modo mais concreto que no mundo virtual. O livro já teve outros títulos, mas, em virtude de alguns desafios que vivi nos últimos anos e da superação (ou quase superação) deles, senti que o meu livro nasceria como um Milagre. Uma comemoração do que deu certo.
GM: Como foi o processo de criação?
GM: Qual o significado do título pra vc?
IMC: Como eu já disse, tem um significado muito especial e pessoal. Nos últimos 4 anos, passei por momentos muito difíceis, ao mesmo tempo tão alegres e tão frustrantes. Engravidei, tive o meu bebê (Iago, está com quatro anos hoje), passei no mestrado, quase desistir dele, mas consegui terminá-lo, voltei a dar aulas depois de alguns anos, quase me separei... enfim, de todos esses momentos, alguns de realização e outros de dúvida e decepções, fiquei extremamente deprimida e, quando comecei o tratamento, fui devastada por uma série de medicamentos que acabaram me fazendo muito mal. Então, se já na gravidez, engordei 19 quilos, com o tratamento engordei 15 quilos (em 2 meses), o que simplesmente me deixou no chão. Hoje o tratamento, graças a Deus, está dando certo, embora eu não tenha perdido o peso que ganhei. Mas sinto que a minha recuperação foi um milagre e isso torna meu livro um júbilo de paixão, repleto de poesias que funcionam como preces em nome da felicidade. Não, não é um livro religioso. A poesia é que é um convite à transcendência.
| Iara e o filhote |
GM: Como e porque surgiu o blog "violoncela"?
IMC: Eu me inspirei em vocês, ora! Mas o nome em si tem a ver com o meu cotidiano de esposa de músico, que passa horas e horas tocando violão e violoncelo. Ele sempre me chamou de "minha Violoncela", achava fofo, mas não conseguia ver perfeição em mim como nas curvas que um violoncelo tem. Mas depois que passei a ler diariamente o Gmaravilhosas, senti uma necessidade muito grande de não me esconder mais, de revelar quem eu sou ao mundo, não apenas como poetisa, mas como uma gordinha bonita que deseja superar todos os preconceitos, não apenas os da sociedade, mas os meus acima de tudo. Então, Violoncela foi um título simbólico que encontrei pra revelar minha beleza, opiniões pessoais e de outros, e, (por que não?), minhas fragilidades, futilidades, e besteirinhas que me tornam humana como qualquer pessoa. Poeta não é um ser a parte não. É humano, demasiadamente humano. E isso pesa pra qualquer um, mas também dignifica.
GM:Você é uma gordinha assumida?
IMC: Sempre fui uma gordinha assumida, sou assim desde criança. Mas nem sempre assumi isso com orgulho. Tenho minhas oscilações de humor, e delas dependem o meu amor próprio. Há dias em que eu não sinto a menor vontade de me arrumar, sair de casa toda produzida e gata. Nesses dias, às vezes, resolvo nem sair, o que não me faz bem. Mas quando eu consigo me sentir entusiasmada pra realçar o que eu tenho de melhor, me sinto a mulher mais linda do mundo! E consigo fazer isso pensando em satisfazer a mim mesma, o que já é uma prova de amor. É algo que estou conquistando aos poucos, mas já pressinto: é muito bom se assumir com gosto e respeito, disso eu gosto.
GM:Alguma vez o preconceito atrapalhou a sua vida? Conte pra gente como?
IMC: Quando eu era criança, ouvia sempre alguns apelidos maldosos, mas não tenho lembrança disso ter me afetado muito. Depois da adolescência, me dediquei muito ao estudo e sempre me destaquei mais pelo meu empenho estudantil do que pelo fato de ser gordinha. Namorei muito, muito mesmo, fase ótima essa. Já estou no segundo casamento (espero que último rsrs) e me sinto muito amada e respeitada como eu sou, embora certos exageros "gastronômicos" (uma certa compulsão alimentar que eu tenho e que preciso tratar ), preocupe as pessoas que eu amo e que estão perto. Acredito que, até hoje, a pessoa mais preconceituosa que conheci com relação ao meu peso sou eu mesma. Sempre tentei driblar a minha baixa autoestima de alguma forma, mas ela sempre veio à tona, principalmente porque nunca fui muito preocupada com a minha vaidade. Mas, no último ano isso tem mudado e já não consigo me imaginar saindo de casa nem que seja só com batom e lápis de olho! rsrsrs
| Iara e o Maridão |
IMC: Eu só escrevo porque leio. Então ler é o melhor conselho que posso lhes dar.
GM: E que conselhos vc daria pros leitores do blog?
IMC: Ser uma Violoncela assumida não é pra qualquer uma. Tem que ter as "cordas" muito fortes pra superar o desafio de ser "tocada" em vários ritmos e desejos. Somos muito mais que violão e violino. Uma Violoncela só deve aceitar que lhe toquem aqueles dispostos a uma boa sinfonia. Então, não se deixe tocar por comentários maldosos ou distorções de espelhos. Nossos sons são mais livres que os das sereias e nossas cores são de uma matéria-prima legítima que não se encontra em qualquer desfile ou revista de moda. Somos raras, porque somos o que somos. E se nos amamos e nos unimos, faremos uma orquestra!!!
Conheça Mais sobre ela nos blogs:
www.violoncela.blogspot.com
www.senhorinhadeespanto.blogspot.com
Entrevista publicada em novembro de 2011.
Fonte:
www.gmaravilhosas.com - li, leio e recomendo super!



1 comentários:
Do pouco que conhecia, já gostava e, agora, melhorou...Abraço,
Araceli
www.pedradosertao.blogspot.com
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